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Miscelânea

Ciências Sociais: fichamentos / clippings / recortes de não-ficção. Nonfiction Litblog.

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Ciências Sociais: fichamentos / clippings / recortes de não-ficção. Nonfiction Litblog.

🎒 Estudo errado / Bertrand Russell

Bertrand Russel, "Por que os homens vão à guerra", Capítulo 5: "A Educação". Editora UNESP, 1ª edição (2014), São Paulo.
Bertrand Russell: idoso sem barba, de cabelo repartido, e terno.
2018 Anastasia Yesipova

O desejo espontâneo e desinteressado pelo conhecimento não é de todo incomum nos jovens e pode ser facilmente estimulado em muitos nos quais permanece latente. Mas é implacavelmente reprimido por professores que só pensam em exames, diplomas e títulos. Para as crianças mais aptas, não há tempo para o pensamento, não há tempo para a satisfação do gosto intelectual, desde o primeiro dia de escola até o momento de sair da universidade. Do começo ao fim, não há nada além de uma longa labuta entre preparações para exames e dados de livros didáticos. No fim das contas, os mais inteligentes ficam enojados com os estudos, querendo apenas esquecer e escapar para uma vida de ação.

[...]

O sistema de exames e o fato de a instrução ser tratada, acima de tudo, como um treino para a vida levam os jovens a enxergar o conhecimento de um ponto de vista meramente utilitário, como um caminho para o dinheiro, não como uma porta para a sabedoria. Isso não teria muita importância se afetasse apenas aqueles que não têm interesses intelectuais genuínos. Mas, infelizmente, afeta, sobretudo, aqueles cujos interesses intelectuais são mais fortes, pois é sobre eles que a pressão dos exames cai com mais severidade.

💊 Flibanserina: feminismo ≈ organização de fachada (👩 "viagra feminino")

Marion Nestle, professora emérita da Faculdade de Nutrição, Estudos Alimentares e Saúde Pública da Universidade de Nova York, e professora visitante no curso de Ciências Nutricionais da Universidade de Cornell. Uma Verdade Indigesta: Como a Indústria Manipula a Ciência do que Comemos. Editora Elefante, 1ª edição, 2019. Capítulo 1: "Uma história para ter cautela"

Além dos laços financeiros diretos, as farmacêuticas têm outras maneiras de influenciar as decisões. Uma delas é pagar pela formação de grupos de defesa de pacientes para pressionar pela aprovação de medicamentos. Nesse sentido, um banco de dados estabelecido pela Kaiser Health News descobriu que, em 2015, catorze empresas farmacêuticas doaram coletivamente 116 milhões de dólares para 594 desses grupos.49 [...].

Meu exemplo favorito é a liberação pela FDA, em 2015, da flibanserina — o “Viagra feminino” —, comercializada como tratamento de “transtorno do desejo sexual hipoativo generalizado adquirido em mulheres na pré-menopausa”, que os críticos acreditam ser uma doença. Com base nos benefícios mínimos do medicamento e nos riscos bem documentados, os comitês da FDA rejeitaram o produto duas vezes. Na terceira, porém, o fabricante, Sprout Pharmaceuticals, organizou um grupo de fachada chamado Even the Score e o posicionou como organização feminista em defesa do direito de as mulheres tomarem aquele medicamento. O comitê consultivo, então, votou pela aprovação baseado no argumento supostamente independente do grupo. Outro exemplo dessa captura corporativa é que, apesar de mencionar os perigos do medicamento, exigir uma etiqueta de advertência na caixa do produto e três estudos adicionais, a FDA aceitou a decisão do comitê. O The Washington Post atribuiu a decisão à “campanha inteligente e agressiva de relações públicas da Sprout” e a classificou como uma má notícia “para a aprovação racional de medicamentos”.51

Referências

  • 49 ROSE, S. L.; HIGHLAND, J.; KARAFA, M. T. et al. Patient advocacy organizations, industry funding, and conflicts of interest. "JAMA Intern Med.", 2017, v. 177, n. 3, pp. 344-50; KOPP, E.; LUPKIN, S.; LUCAS, E. Patient advocacy groups take in millions from drugmakers. Is there a payback? "Kaiser Health News", 6 abr. 2018.
  • 51 SPENCER, P. H.; COHEN, I. G.; ADASHI, E. Y; KESSELHEIM, A. S. Influence, integrity, and the FDA: An ethical framework. "Science", 2017, v. 357, pp. 876-7; MOYNIHAN, R. Evening the score on sex drugs: Feminist movement or marketing masquerade? "BMJ", 2014, v. 349, g6246; SCHULTE, B.; DENNIS, B. FDA approves controversial drug for women with low sex drives "The Washington Post", 18 ago. 2015.

💼 Empregos: Q.I. ⩼ diploma / Você RH

Você RH nº 75, de agosto/setembro de 2021. Boletim - Notas. Expectativas Divergentes.
Quais são os fatores mais relevantes para preencher uma vaga?
Candidatos:
  1. Interesse pela remuneração
  2. Experiência para aquele cargo
  3. Entusiasmo pelo desafio proposto
  4. Atração pela cultura
  5. Formação acadêmica compatível
Recrutadores:
  1. Experiência prévia
  2. Aderência com a cultura
  3. Indicações de pessoas relevantes
  4. Formação acadêmica
  5. Expectativa salarial

Essa é a conclusão de uma pesquisa feita pela consultoria de recrutamento Robert Half que ouviu 700 profissionais e 714 recrutadores. [...]

∴ O QI (Quem Indica) vale mais para as empresas do que qualquer formação acadêmica, mas a experiência prévia vale mais que ambos.

Nataly Pugliesi. O Mito do Trabalho Perfeito: embora algumas empresas comecem a discutir suas vulnerabilidades, o discurso-padrão é o de que as companhias nunca falham. Entenda por que essa mentalidade é prejudicial. Quadro "Precisa combinar". Você RH nº 76, de outubro/novembro de 2021. ISSN 977-244709500-0.
Pesquisa da consultoria de recrutamento Robert Half feita com 700 profissionais empregados e desempregados e 714 recrutadores mostra que os candidatos e os recrutadores têm objetivos bem diferentes nos processos seletivos:
O que os recrutadores buscam
# O quê Micro e Pequena Empresa Média Empresa Grande Empresa
1 Experiência 82% 87% 89%
2 Aderência à cultura 50% 49% 56%
3 Indicação de pessoas do mercado ou da academia 37% 31% 29%
4 Formação acadêmica 32% 32% 27%
5 Expectativa salarial 29% 31% 26%
O que os candidatos buscam
# Desempregados Empregados
1 Aderência do cargo à experiência prévia Remuneração
2 Alinhamento cultural Desafio proposto
3 Desafio proposto Aderência do cargo à experiência prévia
4 Remuneração Alinhamento cultural
5 Aderência do cargo à formação Benefícios

'Simplicidade voluntária' → já tem patrimônio

Eduardo Araia. revista Planeta nº 514, de outubro de 2015. Artigo Simplificar para viver melhor.

PLANETA – Em seu livro [Por uma Vida Mais Simples (Ed. Cultrix)], o sr. mostra que a simplicidade voluntária tem raízes na antiga Grécia. Em que momento ela passou a atrair mais atenção no Ocidente?

D’ANGELO – Na Antiguidade, pregava-se a simplicidade como forma de não desviar o ser humano daquilo que era visto como objetivo real da existência: os relacionamentos, a vida em comunidade, a reflexão. Tudo o que viesse do mundo material, como objetos e propriedades, deveria ser visto como meio para atingir essas finalidades, e jamais ser confundido com elas. No Ocidente, a ideia de simplicidade ganhou força com Henry David Thoreau, escritor norte-americano do século 19, que viveu na pele as transformações causadas pelo capitalismo nascente em seu país e sua comunidade, em Concord, na região metropolitana de Boston. Para Thoreau, o sistema econômico imprime uma pressa sem significado ao dia a dia do cidadão, impõe novidades tecnológicas de utilidade duvidosa e o afasta da natureza, das pessoas e da pura e simples contemplação. Mas a simplicidade só se tornou voluntária – ou seja, só ganhou o adjetivo pelo qual a conhecemos hoje – quando o advogado norte-americano Richard Gregg, discípulo de Gandhi, escreveu o livro O Valor da Simplicidade Voluntária, em 1939. A expressão foi retomada nos anos 1970 por dois pesquisadores da Califórnia, que, em meio à crise do petróleo e às incertezas políticas dos EUA, flagraram um movimento crescente de pessoas que simplificavam suas vidas – e, enfim, puseram a expressão e o modo de vida a ela associado na pauta da imprensa e do cidadão comum.

[...]

PLANETA – Thoreau propôs a adesão a uma vida sem luxos, em contato com a natureza e com tempo para a contemplação e a reflexão. Hoje, vivemos em meio a um intenso fluxo de informações propiciado pela internet, que chega a adoentar muitas pessoas, mas que inegavelmente facilita as comunicações e a disseminação de conhecimentos. É possível conciliar essas tendências?

D’ANGELO – Perfeitamente. Alguém já disse que, hoje em dia, somos editores da nossa linha do tempo. Ou seja, por mais que o volume de informações seja elevado, podemos selecionar o que vai aparecer para nós. Além disso, podemos simplesmente ignorar certas ferramentas – eu mesmo optei por não ter um smartphone, por temer o excesso de estímulos que ele oferece. Basta saber estabelecer limites e reconhecer que ignorar parte da informação produzida é mais do que um esforço de seleção ou edição – é medida de sanidade mental.

[...]

PLANETA – Simplicidade voluntária é algo acessível apenas para quem já construiu um patrimônio?

D’ANGELO – De fato, todos os exemplos que vi, aqui e no exterior, sugerem que a simplicidade voluntária é um movimento de classe média ou média alta. O sujeito, para enveredar por ele, resguarda as condições de poder retornar ao estilo anterior, mais convencional. Além disso, em geral é justamente essa trajetória “convencional” que permite reunir condições para fazer a transição rumo a um estilo de vida menos materialista. Mas convém atentar para um fato. Quando vivemos em maior privação material, tendemos a supervalorizar o que nos falta. Quem passa por dificuldades materiais não se dedica à vida simples porque já vive nela, ainda que involuntariamente – e não percebe vantagem nisso. Quer, por isso mesmo, superá-la, dar lugar à abundância, pois ali reside o que imaginam ser a felicidade. É preciso atingir um certo patamar de afluência para descobrir que ela, por si, não pode entregar todos os benefícios que promete – ao menos, não aqueles de caráter emocional, subjetivo.

PLANETA – Um dos aspectos essenciais da simplicidade é aprender a descartar o que é inútil, de bens materiais a ideias. Como um interessado pode diagnosticar o que é útil e inútil em sua vida?

D’ANGELO – É necessário um período de reflexão, motivado por um desconforto crescente com o rumo tomado por sua vida. É raro que o descarte ocorra por impulso. Em geral, ele é um processo. E, na hora de descartar, Gandhi recomendava: se algo ainda oferece conforto ou ajuda interior, mantenha-o. Pois descartá-lo será doloroso e você passará a desejá-lo de volta.

[...]

PLANETA – E em relação ao Brasil?

D’ANGELO – O Brasil contém diversas rea­lidades. É possível viver à la Primeiro Mundo em uma grande capital sem, contudo, contar com várias facilidades de que um cidadão do Primeiro Mundo dispõe – boa infraestrutura, transporte coletivo eficiente, segurança, etc. É esse o público mais suscetível às ideias da simplicidade: urbano, com ensino superior, de classe média a média alta, de meia-idade e insatisfeito com os rumos da sua vida. Mas a maioria da população sequer pode mostrar-se insatisfeita com esse estilo de vida, pois não pôde prová-lo ainda. Para estes, a evolução pessoal passa pela evolução material. O consumo e a melhora das condições de vida de muita gente, nos últimos anos, apenas reacentuaram a importância desses aspectos para o ideal de felicidade projetado.

(Burnout) 'Trabalhe com Moderação' / Você RH

Hanna Oliveira. Saúde. Sustentabilidade Emocional: a sustentabilidade está chegando a uma nova etapa, a emocional, que coloca a saúde mental dos trabalhadores no centro da estratégia das empresas. Saiba como preparar sua companhia para esse cenário. Você RH nº 75, de agosto/setembro de 2021.

Mais do que um crachá

O psiquiatra e psicólogo suíço Carl Jung já dizia que a construção do nosso ser não está restrita a somente um aspecto da individualidade, mas a várias facetas que se conectam para formar quem realmente somos. É por isso que colocar todo o foco em apenas um dos lados daquilo que estabelece nossa vida — como o trabalho — pode ser altamente perigoso para a saúde física e mental. Esse foi o erro de Sofia Esteves e o que a levou a ter um episódio tão grave de burnout. No trabalho, fui pela primeira vez reconhecida como ser humano, e isso foi determinante para que eu colocasse muito do meu prazer e realização ali, explica Sofia.

Assim como a fundadora da Cia de Talentos, muitos profissionais apaixonados pelo que fazem [...] não conseguem estabelecer limites e acabam ultrapassando a barreira do excesso de trabalho. Esse comportamento, que durante muito tempo foi estimulado e até premiado pelas companhias, criou [...] pessoas que adoecem e que deixam de colocar esforços em outras áreas da vida. O problema é que uma hora o organismo grita — e bem alto. O nosso corpo não foi feito para ficar muito tempo em produção, diz a neuropsicóloga Tamara. [...] O esgotamento mental ocorre quando existe um volume muito grande de trabalho sem uma válvula de escape e o corpo começa a ter sintomas de estafa. [...] Para que isso não aconteça, é necessário encontrar limites. Você pode vestir a camisa do seu trabalho, desde que vista também o seu pijama e uma roupa para fazer atividade física. Ou seja, que você se inclua em sua agenda, diz a jornalista e escritora [do livro "Dá um tempo: como encontrar limites num mundo sem limites"] Izabela.

O papel das companhias que querem ser humanas e socialmente responsáveis é mostrar aos empregados que deve, sim, existir vida além do trabalho. E que cada funcionário é uma pessoa complexa, com necessidades, emoções, expectativas e vulnerabilidades. Se a empresa não olhar para isso, a conta não vai fechar. Não há RH que consiga trabalhar com um grupo de pessoas adoecidas e que não encontram propósito, diz Raquel, [líder de saúde populacional e corporativa] do [Hospital Israelita Albert] Einstein. Essa conta precisa fechar com urgência — e com equilíbrio mental.

Minimalismo: Desejar ≠ Necessitar

Larissa Veloso. Revista Planeta nº 490, de agosto de 2013. Artigo Viver com Menos: alguns nadam conta a corrente do consumismo e pregam que a vida com poucos bens materiais é bem mais satisfatória.

De quantos objetos você precisa para ter uma vida tranquila?

[...] Não é preciso ir muito longe para perceber que vivemos cercados por uma enorme quantidade de objetos e acabamos gastando boa parte do tempo cuidando de sua manutenção: um carro que quebra, o smartphone sem sinal, a tevê que ficou muda e – graças a Deus – ainda não saiu da garantia. E lá vamos atrás da assistência técnica ou de uma loja. O objetivo pode ser tornar a vida mais fácil e confortável, mas muitas vezes acabamos reféns de nossos próprios objetos de desejo.

[...] Mas de quantas dessas coisas de fato precisamos e quantas não são apenas desperdícios de espaço, de dinheiro e de tempo? Algumas pessoas levaram esse questionamento a sério e decididam repensar seus hábitos de consumo. Elas apostam numa teoria simples: quanto menos coisas possuímos, mais descomplicada e feliz será a vida.

O americano Dave Bruno, professor de história na Universidade Nazarena de Point Loma, em San Diego (Califórnia) [...] decidiu assumir o desafio de viver um ano com apenas 100 itens, incluindo roupas, livros, aparelhos eletrônicos, lembranças de família e objetos pessoais. Bruno abriu exceções para os bens que também eram usados pela mulher e os filhos, como móveis e eletrodomésticos, mas ainda assim o esforço foi enorme. Apesar de sua atitude ter sido considerada radical por muitos, ele acabou conquistando seguidores ao redor do mundo, ganhou a atenção da mídia e publicou o livro The 100 things challenge (O Desafio das 100 Coisas, em tradução livre).

Outros procuram ir ainda mais fundo, vivendo sem casa e com apenas 50 itens. Há quem pregue o desafio de ficar um ano sem comprar nada, [como a psicóloga Marina Paula, de 28 anos, moradora de Curitiba], vivendo na base de trocas e doações. Mas também há quem pergunte se a obsessão pelo consumo deve ser substituída pela obsessão do não consumo. Alguns alertam que o minimalismo não trata apenas da quantidade ou do valor dos itens que se encontram em nossas casas. “Minimalismo é viver com o essencial, e cada pessoa decide o que é essencial para si. Então, por definição, o minimalismo sempre será algo subjetivo e individual”, diz o escritor carioca Alex Castro.

🤯 Explosão de informações / Planeta

Ana Carolina Nunes. Revista Planeta. Edição nº 512, de agosto de 2015. Artigo Ler para se curar: Desde o fim da década passada, a leitura com fins terapêuticos tem ganhado força como ação apaziguadora das angústias da mente. Seção "Espaço para progredir".
  • 30 segundos é o intervalo médio entre a publicação de livros no mundo;
  • 60.829 títulos foram publicados no Brasil em 2014;
  • 4 livros, em média, cada brasileiro começa a ler por ano;
  • 2,1 livros são lidos até o fim a cada ano;
  • 7,5[%] da população do país nunca frequentou uma biblioteca na vida;
  • 30% é a fatia ocupado pelos livros brasileiros no mercado nacional;
  • Bíblia é o livro mais lido no Brasil.

Referências: Sindicato Nacional dos Editores de Livro, Ibope, e Publishnews.

Pergunta-se, considerando a finitude da vida humana, que implica pouco tempo para leituras:

  1. como distinguir a desinformação da informação?
  2. como distinguir a informação excelente da informação medíocre?
  3. como distinguir a informação excelente pertinente da informação excelente impertinente?

Deixe suas sugestões nos comentários, por favor.

Geração Nem Nem

Resumo da Palestra TV WEB Geração Nem Nem.

A palestra de 2018 da psicanalista Aline Reck Padilha Abrantes teve por objetivo explicar, do ponto de vista da subjetividade, não da sociologia, da economia, nem do mercado de trabalho, o fenômeno contemporâneo de 30% do(a)s jovens com idades entre 18 e 25 anos estarem totalmente desocupados, sem emprego e sem estudar, justo no momento em que deveriam estar ingressando na Universidade ou no mercado de trabalho.

As informações trazidas são muito relevantes para qualquer profissional, pois os jovens da Geração Nem Nem alguma hora chegam/chegarão ao mercado de trabalho, e se faz necessário entender a subjetividade deles para evitar conflitos geracionais que poderiam minar os objetivos das empresas.

As informações são especialmente relevantes para os jovens da faixa etária correspondente à Geração Nem Nem, para fins de instrospecção e autoconhecimento. Afinal, uma pessoa ignorante até sobre si mesma necessariamente resultará num profissional ignorante. Apresento a seguir o que aprendi na palestra:

A Geração Nem Nem é definida como uma geração que sabe o que não quer, mas não sabe o que quer. E que não há culpados por as coisas terem se saído assim; ao invés disso, há responsáveis, cada um por sua parcela de causa: os/as jovens, os pais, e o meio social.

O que leva um(a) jovem a não estudar nem trabalhar?

Há várias hipóteses do que pode ter levado a juventude a essa situação:

  • os/as jovens podem estar apresentando recusa a aceitar os limites que a sociedade impõe a suas pulsões para poderem se relacionar com os outros: não é viável, numa sociedade, fazer tudo o que quiser, pois há que se cumprir papeis sociais, hierarquia, horários, rotina, disciplina;
  • os/as jovens podem estar apresentando alguma inibição por causa de problemas como a depressão;
  • os/as jovens podem até querer chegar à universidade, mas estarem se impedindo de alcançar o sucesso por acharem que não são capazes de conseguir, por não se identificar com o grupo dos “CDF” ou dos “bem-sucedidos”;
  • os/as jovens podem estar propositalmente fazendo o oposto do que são cobrados a fazer, como forma de se autoafirmar.

Assim sendo, não há como generalizar um só perfil para toda uma geração, pois cada pessoa é um caso específico. O rótulo apaga e desconsidera a singularidade, e por isso não se justifica, levando em conta que há tantas causas, e também fatores diferentes, tais como classes econômicas, etnias, culturas. A rotulação é um mecanismo da humanidade para apaziguar o desconforto que surge de encarar algo desconhecido, mas nesse caso não traz nenhuma solução e não serve para nada.

Amadurecimento

Existe também uma parecela desse(a)s jovens que nem sequer tentar procurar emprego ou sair da situação em que se encontram. Ficam apático(a)s, inertes, paralisado(a)s, se isolam, sentem tédio prolongado e podem até manifestar depressão. O problema dele(a)s pode ser não que lhes falte algo, mas justamente a falta da falta, a impossibilidade de desejar alguma coisa. Quando os pais apresentam narcisismo e querem resgatar no(a)s filho(a)s aquilo que eles não tiveram, isso se torna sufocante, pois quando se tem tudo dado na mão não se abre espaço para o desejo que mobiliza as pessoas a buscar a lutar pelas coisas: é o fim da linha angustiante.

Os pais precisam ensinar seus/suas filho(a)s a viver: mostrar que errar faz parte da Liberdade de Escolher, e que as pessoas falham e se frustram no processo, mas que mesmo assim a vida adulta vale a pena. É comum os pais idealizarem a juventude como se fosse a única fase boa da vida, e incentivarem os/as filho(a)s a a aproveitarem o máximo pois depois a fase acaba, e isso estimula diretamente os/as filho(a)s a prolongarem a juventude além do devido. Se a juventude é a única fase boa, quem vai querer sair dela e entrar na vida adulta, que soa como algo horrível? É semelhante a se estimular as pessoas a aproveitarem a fase de solteiro… Quem vai querer se casar assim, se o casamento soa como um inferno?

O problema é que os pais muitas vezes não sabem orientar os/as filho(a)s pois têm recalque: já foram jovens também, já sonharam muito, já fizeram muita besteira, tiveram seus conflitos. Terem que se lembrar de sua juventude, ação necessária para orientar seus/suas filho(a)s, traz consigo a necessidade de prestar contas consigo mesmo(a), o que é incômodo: porquê o(a) adulto(a) de hoje não realizou, não conseguiu realizar aquileles sonhos? Resulta que chegam os pais na clínica com seus/suas filho(a)s como se não reconhecessem nele(a)s nada do que viveram, como se tivessem se esquecido de que já foram jovens também.

¿Você muda a sua vida, ou vive a sua mudança? / Planeta

Renata Valério de Mesquita, revista Planeta nº 510, de junho de 2015. Artigo Salvação pelo altruísmo - Filho do filósofo francês Jean-François Revel, o monge budista Matthieu Ricard propõe o altruísmo como ferramenta mundial para reverter a degradação do homem e da natureza.

Planeta – Como foi a decisão de mudar sua vida tão radicalmente, aos 26 anos, abandonando uma promissora carreira científica para se tornar monge budista no Oriente?

RicardEu não mudei a minha vida. Quando você percorre uma trilha, desce uma montanha e encontra um vale. Você não mudou nada, só continuou seu caminho. Não tem a ver com rejeitar e abandonar tudo. É questão de explorar várias possibilidades na vida e descobrir o que faz mais sentido para você, quando ainda está em tempo. Se eu fosse decidir alguma coisa agora, às vésperas dos 70 anos, talvez já fosse tarde demais.

Planeta – Concordo, mas…

Ricard – Sim, entendi o que você quis dizer. Agora eu vou dar a resposta que você está esperando. Eu estava dedicado a estudar como os cromossomos das bactérias se dividem, no Instituto Pasteur, na França. Mas conheci um mestre tibetano que ensinava os mecanismos do sofrimento e da felicidade, como entender a própria mente, como ser um ser humano melhor. Então pensei: Essa é uma ciência ainda melhor. Escolhi trocar algo que achava muito interessante por algo ainda mais interessante para mim, para a minha aspiração de fazer o melhor com o tempo que tenho nesta vida. Estou muito feliz por ter feito essa escolha naquele momento, em vez de esperar minha aposentadoria para então fazê-lo.

📷 Direito à Imagem ∋ Imagem Social

Miriam Gomes, advogada e autora do livro “Direito à Imagem nas Redes Sociais”. Palestra TV WEB Direito à Imagem nas Redes Sociais, 2020.

Por muito tempo, a noção de "Direito à Imagem" esteve restrita à fotografia; mas hoje entende-se também como proteção à imagem social. Quando vazam dados de usuários de um aplicativo de relacionamento qualquer, essas pessoas podem se sentir lesadas, pois expor a vida privada delas para toda a sociedade gera constrangimento, dado que, frequentemente, a vida privada de uma pessoa não corresponde à imagem social que ela mantem/é forçada a manter na frente dos outros.